sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Menina linda

Menina linda por dentro e por fora
Imagino Drummond, aquele sentado no banco da praia
Vendo tu chegares:
A praia é toda tua, menina!
Mas antes de entrares, senta-te ao meu lado
E conta-me tuas histórias
Como fazes e desfazes os nós do teu cabelo dourado
Como refletes o mar nos teus olhos
Como sorris com todo teu rosto
E vives cada dia como se fosses borboleta

terça-feira, 13 de maio de 2014

Mar de letras

Ligo o princípio da palavra
Ao fim do que está em mim
Cada letra soa, voa, só
Perdoa, volta, resgata
O mar apaga
Fica a sombra e a memória

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Se

Se não tivesse
Se não fosse
Se houvesse, ouvisse, falasse
Se não hesitasse
Se não olhasse
Se tivesse, escutasse, dissesse
Tantos ses, tantos
E o amor
Sem se, sem fim, em mim
Dura e perdura
único

Cura

Alimento
Vivo da vida, da memória, do amor
Vivo em mim, vivo em árvores, na terra
Vivo em cada
cada nada
um punhado de areia
um coração de criança
uma folha
uma nota
um abraço
e do que encontrei
a cura é certa
mas ainda há falta
do que me completa

terça-feira, 8 de abril de 2014

Perder

Amo e vejo-a longe
Continuo, penso e torno a caminhar
Perco-me
Vejo-a perto, mas longe
Não consigo encontrar
Não me vejo, não me sinto
Calo o silêncio
Grito mudo
Da distância presente
No sorriso ausente.
Quero falar, reviver
Refazer, reescrever
Perder é ceder
Libertar é amar

segunda-feira, 31 de março de 2014

Deveras sente

A dor
que deveras sente
dor, que dói............
e não se sente?
Não.  Sinto.
E dói, permanentemente,
como uma dor presente,
parte do todo,
sem parente,
sem qualquer parecença,
uma dor
como outra qualquer?
Quando dói, fá-lo à toda gente,
comum e particular,
diferente e semelhante,
juntos na dor,
que dói
e teima em doer.
Mas é física esta dor?
Não.
É qualquer coisa,
que não sei explicar
mas dói.

terça-feira, 18 de março de 2014

Quem me chama?

Dúvida ou missão
Pergunta ou caminho
Destino?
Pessoa, Llansol
Caminho?
Heterónimo, eu................múltiplo
Abraço o mundo
Quem me chama,
Dizia eu

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Fogo que arde, ferida que dói

Febre, o coração a bater forte
e uma ansiedade que se quer controlar
mas incontornável
Dos lugares comuns que lemos, ouvimos
nos poemas, nas canções
Nada se compara ao
sentir, viver, experimentar
O tempo pode passar, separar
Mas a cada encontro é isso
O incontornável
O que faz sofrer
E que vale a pena voltar a fazer

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Ramos, braços, corpo, tronco

Misturo-me nos braços,
Ramos de vida, cor, flor
Alma una, corpo e tronco
Sexo e pólen, fruto e amor
Faço curvas,  teço céus
Crio verdades, escuto destinos
Respostas mudas, voz do sorriso
Atenções distraídas,
Passos em vão
Ou não
São vontades
Essências
Vida
E um abraço infinito

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Força natural

Chove torrencialmente.  As ameixoeiras-cereja, a agitar as pequenas flores de meados de Fevereiro, inclinam-se ao sabor do tempo. O vento que levanta telhas, a água que enche o subterrâneo e transborda, a terra enxarcada que já não absorve o que lhe corre em direcção do mar; nada incomoda as pequenas flores, que continuam ao sabor do vento, à espera do seu tempo de fruto, à espera da primavera e dos insetos.  O que é forte o suficiente para alterar o que o homem fez em meses, não consegue alterar o ciclo da vida de uma delicada flor.  A força natural prevalesce.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Amar o mar

E quando acordo
A vontade
O vôo
As asas
O mar sem fim e a areia
Os passos que afundam
A água salgada
O mar
Sempre o mar
O eterno retorno das ondas
Da vida que recomeça quando parece acabar
Da planta que floresce a cada primavera
E quando acordo
Apenas sorrisos
Apenas palavras
Apenas vida
E ainda o mar

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Deus lhe dê saúde

O olhar pede
O braço estende-se a cada passagem
O corpo curvado, sob uma manta envelhecida
E um lenço molhado pela morrinha matinal
A idade não perdoa

O olhar pede
Brilha a cada possibilidade
Não podia na ida, havia de passar na volta
Basta uma moeda, só uma
Para acompanhar as poucas
Insuficientes para o fundo
Insuficientes para a vida

O olhar pede
E na volta, estendo a mão
E a senhora estende a caixa branca, quase vazia
Sorrio e digo bom dia
"Obrigado", diz
E, iluminando meu dia,
"Deus lhe dê saúde"

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Fado

Triste fado que embala a dor
Convence a dor que a vida é fardo
E a felicidade que se sente, esvai
Tarde lembra que tudo é curto
Que o simples é mais importante
E que da dor experiente
Nasce o sorriso do amanhã

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Aprender

Quero aprender mais
Conhecer o presente
A causa, a consequência
O absurdo
E questionar
Tornar o fato em dúvida,
A arte em sonho,
A Natureza em poeta.
Amar o saber
Mas também saber amar
Aprender nas linhas,
Desfiar nos textos
E cruzar horizontes
Viagens sem destino
E com objectivos
Sorrir, sentir e crescer

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Hoje

Hoje durmo, hoje acordo
Meia noite, no meio da noite
Penso, vôo, madrugo
Avanço um terço
No quarto, na quinta
E o alvoroço,  o silêncio
Tudo fala, nada ecoa
Pardo céu, tardia lua
Telhado cego
Vidro molhado
Sabor de chuva
E a terra e a Terra
Mãe
Do M que escapa à língua
Da língua, da pátria
Da comunicação
Da ação comum
Verde
Sem rédeas,  apenas
Hoje

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Des Construir

Construir
de palavras soltas, palatos,
uma língua comum a nações.
De soltas, passam a frases, linhas,
tomam corpo,
forma, espaço e sombra,
som, sol e solidão.
Sob a árvore, sobre a cama,
entre o livro, outrora papel,
outrora pedaço de árvore
abrigado no leito
do rio da escrita,
a des construção,
as partes que justificam o todo,
o simples que parece complexo,
Deus em forma de tinta.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Movimento

Vento em manto sobre a areia
Forma, cria, partilha
Os que vêem o que escreve
Deixam o seu toque enrolar os cabelos
Em ondas, sonhos, sorrisos
Em bocas, em beijos
E o mar, a oscilar em espuma
A mover o momento
Movimento

terça-feira, 11 de junho de 2013

Saudade

A saudade que o mar agitado trás
é espuma em círculos na areia.
O olhar salgado ora vê o horizonte,
ora acaricia a areia, ora ora.
Faz da nuvem um altar
E do Sol omnipresente.
Saudade e sal
"É solitário andar por entre a gente"

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Palavra

A palavra que sai da boca
É arte, karma, felicidade e tristeza
Primavera, verão ou outra estação
É qualquer coisa, tudo ou nada
Uma gota d'água, um oceano.

No destino, a palavra lavra.
Revolve, engravida e espera
O tempo ajuda e quando nasce,
o fruto é mais que uma palavra
É um texto raro
um olhar do leitor
um sorriso do poeta.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Flor do silêncio

Por mais que escute
Por mais que olhe, veja e não perceba
A música
A combinação de notas
Não desvanece,  não enjoa
Não é moda nem de passagem.
É toda vida, pulsar de um momento,
Valor para quem escuta,
Fronteira da mensagem
Para quem a concebeu,
Como um toque silencioso
Numa flor que está lá
Mas não é visível aos olhos da rotina.