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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

O Puzzle da Vida


Ao juntar as peças de 2010, descobrimos adversidades e bons momentos, perdas e nascimentos, dificuldades e satisfações. Ao terminar o Puzzle, percebemos que o que nos motiva é justamente isso: tal como a própria vida, um ano não é melhor ou pior do que outro. Nós é que o fazemos bom ou mau.
Vamos fazer de 2011 um vintage!

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O pai do pai do meu pai


Fiquei a saber há dias que meu bisavô paterno está nesta foto (o senhor que está mais à direita).  As memórias têm destas coisas: atravessam o tempo sobre uma folha de papel, criam emoções de vida nos que ficam pela vida dos que foram e plantam saudades de quem não chegamos a conhecer.  O pai do pai do meu pai agora é também parte de mim.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

O espírito da Terra do Nunca

A Terra do Nunca não deve ter sido tão lembrada como agora, com a morte de Michael Jackson.  A evolução do seu rosto, da sua “capa”, a fascinação pela criança que foi e cujo espírito deixou escapar com a transformação não só física, mas também e, principalmente, psicológica, leva-nos a reflectir se a Terra do Nunca não seria uma máscara para esconder a dor de perder a criança que não soube gerir, do lado infantil que não soube desenvolver.  A criança Michael morreu em Michael e o sorriso natural de outrora não conseguiu resistir às transformações.   Never Land de Peter Pan renasce ao escolher as crianças que fomos, alertando-nos, enquanto fábula, que podemos continuar crianças cá dentro.  Basta construímos a terra prometida nos nossos pensamentos, actos, vontades, espíritos.

E agora sabe-se que, afinal, não irá para a Terra do Nunca: Michael Jackson não será levado para Neverland

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Página em branco

É um lugar comum.  A vida é uma página em branco.  Somos responsáveis por aquilo que construímos, pelas escolhas e arrependimentos que fazemos, atempadamente ou não.  Tenho por hábito não dar demasiada importância aos erros e correcções, mas à vida, ao presente e ao futuro, ao que está por vir, fazer, concretizar, tornar realidade.  A possibilidade é uma página em branco.  A vontade é nosso pincel, pronto a colorir de acordo com nosso espírito, nosso mood.  Em ritmo de homenagem, lembro os que contribuíram para que minha vida fosse diferente e que já não estão cá.  Eles também deixaram impressões nos meus dias e lembro-me do que construíram como incentivo a que faça cada vez mais.  A vida é assim: hoje é o velório e amanhã, a festa, o renascimento. Viva a vida!  Viva a possibilidade!  Viva as cores por colorir, em páginas em branco!

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Dias sim e não

Há dias assim.  Em que pensamos pela manhã, a caminho do trabalho, nos nossos filhos, imaginando-os a brincar no infantário, no dia mundial da Criança, e sorrimos.  Chega a hora do almoço, vamos ao restaurante da esquina e vemos o noticiário sobre o acidente do Airbus A330-200 da Air France, e entristecemos.  Há dias assim, dias sim e não, dias de vida e morte.  Que a vida prevaleça na esperança de uma nova manhã.

domingo, 31 de maio de 2009

O anzol da nostalgia

Esta canção transmite-me tanta nostalgia, que me leva a reflectir o que são raízes.  Enquanto brasileiro nato e português de escolha, a cultura de um povo parece-me mais afectiva que biológica.  Enquanto alguns apregoam que a biologia deve prevalecer sobre a afectividade, prefiro ressaltar o quanto esta última é importante, através do simples sentimento de gostar nostalgicamente de uma canção que não vivi (vim para Portugal em 1994 e Anzol nasceu pelos Rádio Macau em 1987, no álbum O Elevador da Glória):

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Motorcycle emptiness

Enquanto hoje na SIC eram apresentados os presumíveis custos do lento e complexo julgamento Casa Pia, lembrei-me do meu avô materno a ver a SIC há uns 7 anos atrás, numa cama de hospital.  Na altura fitava incrédulo um dos actualmente arguidos no processo, fazendo um gesto como de uma arma à cabeça, passando-nos a mensagem de que quem comete um crime tão horrendo como a pedofilia, o desrespeito máximo ao que jamais poderia ser desrespeitado, merecia algo mais do que um julgamento e consequente prisão.  O escândalo começava em finais de 2002, quando meu avô já não falava, mas a incredulidade do seu olhar e seu gesto em resposta à notícia eram mais do que palavras.  Neste mesmo ano casei-me e na volta da lua-de mel ainda pude ver seus olhos incrédulos, a possível resposta à rapidez com que a doença retirou-lhe possibilidades.  Este vazio que por vezes sinto da falta tão presente que ele deixou-me é só comparável à nostalgia que a canção Motorcycle emptiness me desperta.

terça-feira, 3 de março de 2009

Fado mar, fado cais

Triste fado que fala do próprio fado.  Há dias jantei no Norte Shopping, no Pasta Caffé.  Um dos temas da conversa foi a situação de um conhecido jornal português em meio à crise internacional.  Sabe-nos à comida italiana, mas falamos sobre Portugal num restaurante controlado pela Ibersol, uma empresa portuguesa com sede no Porto, num shopping do grupo Sonae, com sede na Maia. Exceções ao fado?

No fado que fala de si, ator e autor são diferentes papéis conscientes da respectiva fronteira.  Enquanto atores, sentimos cada emoção que nos vai à alma, cidadãos portugueses partes do fado maior.  Enquanto autores, interpretamos com nossos sentidos a emoção dos fados que ouvimos, dando corpo e voz sob outro olhar, sob outro fado.

A voz tremida carrega a tristeza, o mar traz em ondas os versos do autor que sente a dor que deveras sente, ator e autor em sintonia.  Sim, nós, porttugueses, somos fadistas natos, somos atores e autores de fados.  Mas ainda não falamos do próprio fado; ficamos a admirar eternamente a pobre ceifeira, invejando-a.

Este fado mar, que carrega as palavras, as vontades, os desejos, não são planos de futuro, não têm objectivos.  É preciso torná-lo porto seguro, atracá-lo ao cais da mudança, da inovação.  Quebrar o falso espelho que reflecte apenas o passado, envelhecer como o retrato de Dorian Gray e acordar barata como Gregor Samsa.  É preciso reescrever o fado mar em fado cais.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Sede de Quinta Seca

Quinta Seca, Senhora da Hora, Matosinhos

Cai a noite de domingo sobre Matosinhos.  De um dia de sol a caminho da primavera, com o mar ao fundo, toma conta desta Quinta Seca o silêncio.  Alguns carros, o helicóptero do Pedro Hispano, os galos e o ferro dos trilhos do Metro quebram periodicamente a sinfonia temperada do teclado do computador e do som que soa como um zumbido.  Há muito não escuto noites tropicais, de silêncio acompanhado pela música dos grilos.  Este zumbido da noite lembra-me os grilos, mas sei que é apenas sugestão do pensamento.  Escolhi a Quinta Seca há quase dois anos, um oásis no meio da cidade  que me apaga a sede de silêncio, como um Bairro Peixoto da Senhora da Hora.  Tenho sede desta Quinta Seca, tal como tenho sede do Bairro Peixoto.  Embalo a rede, não posso parar, tamanha a sede.

domingo, 14 de dezembro de 2008

As Palavras que me lês

O fim de uma história é o princípio de outra.  A história das nossas vidas não acaba, não é imcompleta, porque cabe nas Palavras que trocamos, cabe nas histórias que lemos e nas que escutámos.  Quando se trocam Palavras, perpetuámos, estendemos nossos longos braços-laços e o que se cria não se rompe, basta regar diáriamente, como a rosa do pequeno príncipe.

A tristeza que se sente com a partida, a alegria que se sente com a chegada, uma espera no cais de afetos, onde trocam-se também Palavras, em afirmação dos laços que não se romperam.  Quando estamos tristes, e se sentimo-nos semi-qualquer coisa, sabemos que a alegria voltará um dia, sabemos que não estamos sós, porque parte do Todo está em mim e parte de mim está no Todo.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Semi-qualquer coisa

São quase 21h30.  O pai já despediu-se da filha.  A casa volta a estar semi-iluminada, semi-habitada.  Ele vê as notícias, a terça-feira que se aproxima, o tempo a passar.  Tem à sua frente o pixel vivo do televisor LCD, que também é seu monitor, que também é parte desta sede que o liga ao mundo, A Rede.

É inacreditável a força desta Rede, que nos aproxima, nos une, nos torna uníssonos.  Somos cada qual em cada vida, a que escolhemos,  e participamos activamente na vida dos outros “cada uns”, dos espelhos semi-habitados, dos reflexos por iluminar em outro canto qualquer do mundo.

Também é já parte deste espelho incompleto em busca de reflexo.   É parte de algo que está sempre por descobrir.  Parte de qualquer coisa, e agora cá, a esta hora, neste lugar, o pai é semi-qualquer coisa.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

A insustentável multiplicidade do ser

Lembro-me do final do filme Dangerous Liaisons em que Marquise de Merteuil limpa o rosto do excesso da maquiagem com que diáriamente apresentava-se.  A queda de uma máscara faz-se sentir ao espelho.

Em tempos de crise, a maquiagem de Estado promete transformar grandes investimentos em grandes oportunidades, enquanto a oposição transforma os futuros gastos em futuros problemas.  Entretanto, envelhecemos, as crianças jogam nos seus computadores Magalhães, endividamo-nos comprando carros topo de gama enquanto os bancos leiloam nossos imóveis.

Chegou a hora de limparmos o rosto.  Fomos grandes navegadores. Fomos e podemos ser. Mas o problema é que pensamos que somos ou que apenas queremos ser: vemos o passado como algo que simplesmente passou, não vemos como aprendizagem, como possibilidade.  Ao invés do possível, do que podemos alcançar, filosofamos sobre desejos, sobre sonhos, sobre planos.  Vivemos à deriva da possibilidade, em meio ao desejo do inalcançável, vivendo os dias como se não houvesse futuro, como se não tivesse havido passado.

Nasce a insustentável multiplicidade de cada um de nós.  Nós, portugueses, que vivemos esta realidade que julgamos real, sabemos que afinal não somos tão bons, não somos tão perfeitos.  Mas enquanto a reação lógica poderia ser assumir a queda, limpar o rosto do excesso e enfrentarmos as rugas que sempre foram nossas, preferimos continuar mascarados.  Somos grandes lá fora enquanto chorámos em casa.  Mostramos força durante o dia e dormimos com calmantes e anti-depressivos.

Espero que um dia aprendamos o quanto é importante poupar para investir no futuro, pensar na educação antes da tecnologia "made in Portugal", pensar na estabilidade sustentada antes do comodismo, no que podemos fazer com investimento e dedicação e não com o simples desejo.  É hora de esquecermos a máscara que nos esconde do espelho, que nos esconde de nós próprios.  Precisamos conhecer e aprender com nosso passado, ver o presente sem maquiagem, e traçar o caminho do futuro.

sábado, 4 de outubro de 2008

Made in Portugal II

Sou produto de Portugal nascido no Brasil.  Sinto-me português, sinto-me brasileiro, sinto-me global.  Não há pátrias, raças, partidos, claques e grupos quando simplesmente somos do Mundo.  Sou intolerante à intolerância, mas se a democracia o permite, porque esconder que sinto-me triste em saber que há racismo e xenofobia?

domingo, 7 de setembro de 2008

Memória

Há tempos que não me lembro, há outros norturnos, dias adormecidos em pensamentos vagos sobre tudo, sob o nada. Fico a ver o ténue fio de mar entre as árvores distantes, o tempo que outrora trazia-me a noite, agora traz-me o sorriso, uma flor numa caneca de leite, um pedaço de bolo da avó, uma garrafa de vinho da aldeia.  A memória, que percorre o tempo, acordando pensamentos, como orvalho noturno que evapora com o sol, pergunta: vale a pena?  Mas a alma nunca é pequena...

Os novos pés de figueira

Hoje meu pai mostrou dois pés que nasceram perto do vazio deixado pela grande figueira.  É sempre bom ver que da terra tudo pode renascer, mesmo que por vezes esqueçamos das pequenas grandes coisas que a vida nos traz a cada dia.

domingo, 24 de agosto de 2008

O paladar que foi futuro

Já não haverá figos este ano. Agora no lugar do teu tronco está o vazio, a falta do futuro paladar.   Fica a memória de comer ao teu pé agora descalço na estrada, transformado em lenha pela motoserra.  A terra que te amparava vai acamando e no meio da lama e da chuva, alguns figos ainda verdes que perdeste já não crescem.  Fica o paladar de outrora, o fruto aberto, avermelhado, o saber doce, puro mel.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Rooibos tea

This evening I reserved a time for myself at the end of this first day of work after the hollidays.  There's nothing better than a cup of rooibos tea, good music, and to check some pictures I took during the last month.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Mestre Tempo

13515 dias.  O Mestre questiona-me como e não quanto.  O quanto é certo, o como um princípio.  Há uma parte que nos faz aprendiz, uma outra que nos torna amante.  E enquanto dura, renasce a cada dia, como certo é o princípio e o amanhã talvez.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Por vezes II

Por vezes só mesmo um milagre pode reverter situações como a fome. Sabemos que nem todos escutam esta música como um apelo, fazendo sua vida sem pensar que estão a contribuir para que a desigualdade e a injustiça continuem. Mas podemos agir, mesmo que em pequenas acções do dia-a-dia. Podemos e devemos. A recompensa é a resposta à questão, a missão que todos desenvolvemos cá, de sermos felizes e fazermos os outros felizes, pois sem a felicidade dos outros, a nossa torna-se mesquinha, orgulhosa, sem sentido.

Por vezes sinto uma vontade inesperada e crescente de abandonar ao que chamo de vida comum, numa cidade, com o conforto urbano, e tornar-me verdadeiramente pró-activo em relação a estas questões. Porque não ir para onde os problemas acontecem, onde o conforto não quer ou não pode chegar, para onde realmente precisam de mim? Será normal envelhecermos confortavelmente nas nossas vidas citadinas e passar este mesma comodidade a nossos filhos, perpetuando a inércia que nos faz achar que devemos ser cada vez mais competitivos, no ritmo capitalista? Como esquecer quem não pode concorrer nesta competitividade por não ter tido condições desde o seu berço?

Por vezes, um milagre, por vezes, a vontade. Questões sem resposta definida, despistadas pelos nossos problemas que achamos grandes e que são tão pequenos. Andamos a vida toda a resolvê-los e esquecemos dos verdadeiros problemas. Precisamos de mais milagres, mais vontades.

terça-feira, 8 de julho de 2008

20 minutos para a meia-noite

Trilha sonora de Ghost in the Shell.  A magia de Masamune Shirow sob a imagem de Mamoru Oshii e som de Kenji Kawai.  Qualquer dia faltará 20 minutos para eu ver o país do sol nascente.