Há livros assim. Que passam de mão em mão, ficam amarelos, mais gordos, com as capas arranhadas, as páginas rabiscadas. Lembro-me das Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato. Aquele livro marcou minha infância e gostei tanto de o ler que não parei neste, li toda a obra do autor. Minha mãe o leu, reli-o eu, minha irmã leu, e a menina deverá lê-lo. E outros no passado e uns tantos no futuro. O livro das comuns idades é um livro que passa de geração em geração, como herança, tradição, cultura de comunidades. Livro-História, a escrever o tempo e o espaço de quem lhe alberga.
domingo, 15 de junho de 2008
terça-feira, 10 de junho de 2008
Passagem para o eu
Passagem para a Índia. A bipolaridade entre Índia e Inglaterra é abordada neste filme de forma não maniqueísta, em que a inocência torna-se em experiência, o certo torna-se em dúvida e o encontro pode dar-se quando menos se espera, no local menos provável. É sobretudo um filme que retrata a descoberta de si mesmo, do encontro com o próprio eu, do sentimento que temos escondido e que não queremos ou podemos mostrar ao mundo.
Há três encontros que me fascinam. O encontro entre Mrs. Moore e Professor Godbole, entre Adela Quested e si mesma na gruta de Marabar, entre Dr. Aziz e a perda de sua própria inocência.
O primeiro é o mais instigador, ao percebermos que a alma humana ultrapassa nações e fronteiras e que podemos seguir um caminho de vida sem nunca ter passado pelo caminho físico que o poderia propiciar. Mrs. Moore ultrapassa o pré-conceito de duas nações ao simplesmente questionar sua própria condição. Sua passagem de volta, resultado da sua incompreensão e impotência face ao que presenciava, é saudada em namasté por Professor Godbole quando parte de comboio, acção que lhe causa curiosidade e respeito, sem imaginar que era uma despedida antes de sua passagem final de encontro com o oceano índico.
O segundo é a redescoberta do mito de uma caverna (encontro com as entranhas da terra, ou mesmo enquanto metáfora do útero materno), quando o calor abafado e intenso da pré-monção durante o percurso por um lado, a escuridão, o eco e a claustrofobia da própria gruta por outro, são os elementos que propiciam uma alucinação, uma descoberta do eu (em eco, como num jogo de espelhos), e uma fuga desesperada de si mesmo. Quando os pensamentos correm sem controlo, a sugestão de uma bipolaridade marcada pelas desigualdades entre colonizador e colonizado é capaz de deturpar os fatos, criando uma batalha política, que culmina no julgamento e absolvição por falta de provas de Dr. Aziz.
O terceiro encontro, entre Dr. Aziz e sua nova condição, é derivado da batalha política e suas consequências. É impressionante a transformação neste personagem, começando na sua subserviência inocente aos desejos de duas senhoras inglesas, e culminando no assumir do estatuto criado com sua nova "inocência", a judicial, já sem a outra inocência que resumia sua postura.
No percurso destes três encontros, fica a figura igualmente marcante de Mr. Fielding, calejado apoiante de Dr. Aziz, mas que acaba por proteger Adela após o julgamento. E é no encontro com a mulher de Mr. Fielding (Stella, filha de Mrs. Moore, de um segundo casamento), que Dr. Aziz, agora estabelecido médico local, acaba por perceber que é preciso perdoar.
Obrigado t.o r.k.m u.r p h.y... por me lembrar deste filme! Namasté!
segunda-feira, 17 de março de 2008
March 17th
Another Monday. Finally I saw the first and the second Ghost in the Shell movies. From the cyberpunk movies that I saw, these brought me much more than I expected. Not only for the extraordinary design and characters details, but also for the script and philosophy behind both. Simply great.
sábado, 1 de março de 2008
Metropolis
Metropolis é o primeiro filme que aborda a fronteira entre homem e máquina da história do cinema. A primeira versão é de Fritz Lang (1927), a segunda, de Giorgio Moroder (1984).
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
Dreams for sale
Dreams for sale is a Twilight Zone episode, revival of classic Rod Serling series. What is the matrix?
Os filmes
Os filmes são, pelo menos aqueles dos quais me recordo: Minority Report, Total Recall, The Matrix, Ghost in the shell, Blade Runner, Robocop, I Robot, AI.
What is the Matrix?
Por mais pop que um filme seja, por mais comercial. Há uma rede através de alguns filmes de ficção científica. A eterna pergunta que fica: o limiar entre homem e máquina. Há filmes que mostram a máquina em busca de humanidade, outros o homem-máquina. Matrix abordou a virtualidade da própria vida. Estaremos a viver num sonho de uma máquina, algo que hoje traduzimos como um ambiente virtual oferecido por um jogo da playstation 3?