Hoje durmo, hoje acordo
Meia noite, no meio da noite
Penso, vôo, madrugo
Avanço um terço
No quarto, na quinta
E o alvoroço, o silêncio
Tudo fala, nada ecoa
Pardo céu, tardia lua
Telhado cego
Vidro molhado
Sabor de chuva
E a terra e a Terra
Mãe
Do M que escapa à língua
Da língua, da pátria
Da comunicação
Da ação comum
Verde
Sem rédeas, apenas
Hoje
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
Hoje
sábado, 6 de abril de 2013
Tempo passa
Tempo passa
faz passado o que desejo abraçar
e futuro o que já abracei.
Braços abertos ou entrelaçados,
uma força revolve os pés, as raízes.
Ramos e folhas, família, ramificações.
Não tenho medo do que está por vir:
o caule verde verga-se ao vento,
mas o tronco experiente é sábio
e firme trespassa as horas do Tempo.
Mantenho a alma verde
por mais anéis que se criem,
por tantas estações, cores,
árvore, apenas árvore.
domingo, 17 de maio de 2009
Comptine d’un autre été
Je suis là, perdu au milieux de quelque chose. Le blanc et le noir sont là aussi, j’écoute la musique, triste et belle, comme une plume sur la mer du feu. Le piano dit à moi que la chose la plus triste ce n'est pas soufrir, mais n'avoir pas de la chance à sentir.
L’homenage possible à la grandiosité de la musique d’Yann Tiersen au film Le Fabuleux Destin d’Amélie Poulain.
domingo, 10 de maio de 2009
Uma festa a um santo de um lugar
Quiosques de peruanos, indianos e portugueses com produtos chineses. Farturas, pipocas, cachorros, algodão doce. Música pimba, carrosséis com canções distorcidas e aos berros. E crianças, muitas crianças, a sorrir e a acenar radiantes para os pais igualmente felizes.
quarta-feira, 11 de março de 2009
U2 rocks again!
At the line on the horizon there’s a magnificent Joshua tree revisited. After great pop albums, a moment of surrender, when the unknown caller rocks again. I’ll go crazy if I don’t crazy tonight listening to Joshua Tree and this new album, so I’ll recommend you to get on your boots till the nearest store. No stand up comedy makes me feel better than listen to these albums when rock is being born again, white as snow, like a breathe in these crisis and war days. The Joshua Tree soul remains at the Cedars of Lebanon.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Uma ausência tão presente
Entre os passados seis anos desta ausência e o futuro desejado, cabe o presente, dádiva no próprio nome, uma prenda que a vida nos dá a cada dia, quando abrimos os olhos após o sono e deparámo-nos com os que nos amam, a escrever, falar, olhar ou pensar em nós.
domingo, 14 de dezembro de 2008
As Palavras que me lês
O fim de uma história é o princípio de outra. A história das nossas vidas não acaba, não é imcompleta, porque cabe nas Palavras que trocamos, cabe nas histórias que lemos e nas que escutámos. Quando se trocam Palavras, perpetuámos, estendemos nossos longos braços-laços e o que se cria não se rompe, basta regar diáriamente, como a rosa do pequeno príncipe.
A tristeza que se sente com a partida, a alegria que se sente com a chegada, uma espera no cais de afetos, onde trocam-se também Palavras, em afirmação dos laços que não se romperam. Quando estamos tristes, e se sentimo-nos semi-qualquer coisa, sabemos que a alegria voltará um dia, sabemos que não estamos sós, porque parte do Todo está em mim e parte de mim está no Todo.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Semi-qualquer coisa
São quase 21h30. O pai já despediu-se da filha. A casa volta a estar semi-iluminada, semi-habitada. Ele vê as notícias, a terça-feira que se aproxima, o tempo a passar. Tem à sua frente o pixel vivo do televisor LCD, que também é seu monitor, que também é parte desta sede que o liga ao mundo, A Rede.
É inacreditável a força desta Rede, que nos aproxima, nos une, nos torna uníssonos. Somos cada qual em cada vida, a que escolhemos, e participamos activamente na vida dos outros “cada uns”, dos espelhos semi-habitados, dos reflexos por iluminar em outro canto qualquer do mundo.
Também é já parte deste espelho incompleto em busca de reflexo. É parte de algo que está sempre por descobrir. Parte de qualquer coisa, e agora cá, a esta hora, neste lugar, o pai é semi-qualquer coisa.
sábado, 1 de novembro de 2008
A vida e a vida de Llansol
Há tempos fez-se uma vida em anos de escrita, há tempos criou-se um texto em noites perdidas. Perdidas? Não, decididamente são ganhas. O poeta não perde o que usa, apenas perpetua a palavra, que ganha valor quando passa de boca em boca. E é após esta vida passada, a material, que a próxima que não é mais física, mas como meta, objecto meta______________________________________________físico, objectivo por cumprir, revive. Senhor, falta cumprir-se Portugal. E cumprir-se-á também na escrita, numa outra vida, na vida que virá depois da vida.
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Como falar de amor
Como falar se o vulgar é corrente, se a energia cria-te e cerceia tua força? Como culpar quem te vive intensamente, quem te sobrepõe ao viável, ao plausível? Como esquecer quando teu abalo abriu às raízes, pelas rachaduras, a tua terra, teu suor, teu fogo, teu fôlego? Como falar, como recriar, se tu és o que não és, mas o que julgas ser em cada um de nós?
domingo, 21 de setembro de 2008
Outono
O prenúncio de um Outono. Deixo a janela aberta para entrar o som forte dos trovões. Lá fora há ainda festa dos Leixões, a noite vai caindo e a chuva também cai a fechá-la. Hoje é Verão, amanhã já é outra estação.
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Diferente olhar sobre o mesmo
Ontem desci a Avenida de Merignac até à Villagarcia de Arosa. Matosinhos parece sempre igual junto ao Hospital Pedro Hispano, árvores ao fundo, no Parque de Real, os jardins, o Metro a ranger o ferro, as famílias a irem trabalhar pela manhã. Reparei no azul do céu e na leve brisa que amansava o calor que preparava-se para a tarde: anunciavam algo diferente. O azul estava perfeito e a brisa modelava as cores dos tijolos vermelhos, das flores, das árvores. Senti a diferença num movimento de ascenção, quando percebi que não olhava mais o chão que pisava. As cores atraiam o olhar para cima, para o que a vista não alcança numa manhã de trabalho. Este renascer da percepção fez-me pensar que a realidade difere pouco, mas levanta do chão quando fazemos das suas cores uma nova interpretação, um novo olhar sobre uma simples segunda-feira.
terça-feira, 15 de julho de 2008
Mestre Tempo
13515 dias. O Mestre questiona-me como e não quanto. O quanto é certo, o como um princípio. Há uma parte que nos faz aprendiz, uma outra que nos torna amante. E enquanto dura, renasce a cada dia, como certo é o princípio e o amanhã talvez.
sábado, 21 de junho de 2008
c# poem
#using bSomethingLibrary;
public class Life
{
public void Life()
{
do
{
live();
} while ( onEarth());
}
public Life live()
{
bPart [] yourself = new bPart [5];
yourself[0] = bFree();
yourself[1] = bFriend();
yourself[2] = bLover();
yourself[3] = bLoved();
yourself[4] = bYou();
return new Life(yourself);
}
}
terça-feira, 3 de junho de 2008
Apito da partida II
Porque me chamas com tua voz? Um navio em porto de abrigo, uma partida eminente, gente que não fala minha língua mas sorri sob a mesma voz, o soar do apito. Porque me chamas com tua voz, se sabes que preciso continuar aqui sentado, a olhar para o céu azul, a sentir a brisa que vem do mar, a escutar os pássaros que ansiavam a primavera. O sol lá fora convida-me, mas o dever chama-me e preciso cá estar. Parte com tua gente, que escuta teu chamado e corre para voltar à casa! Minha casa é onde estou feliz, onde faço minha vida por agora, onde ancoro minhas raízes nómadas. Para já não respondo ao teu chamado, apenas sorrio.
segunda-feira, 2 de junho de 2008
Silêncio
Pássaros, passos, escassos
ruídos
A porta que abre, o telemóvel que toca,
passos
palavras, pessoas, portas
gaivotas
cadeiras
e o silêncio impera
enquanto as mentes brilham
quinta-feira, 29 de maio de 2008
Maio maduro Maio*
Maio já estás para lá de Marrakesh, qualquer coisa.
Já qualquer coisa entre tuas nuvens mexe.
Não raia sol nem no sul nem no norte,
Mas, alto lá, o sol espreita a chamar o Verão...
Será Junho o mês com os dias a cantar?
Venham ver, Junho está a nascer
Que a voz não falhe pela chuva
O sol finalmente rompeu.
* Contém citações à letra de Maio Maduro Maio de Zeca Afonso e à letra de Qualquer Coisa de Caetano Veloso
quarta-feira, 28 de maio de 2008
Por vezes
Por vezes uso muito o por vezes
Por vezes a chuva, por vezes o sol,
Por vezes, por soma, por subtração.
Por vezes o eu espera,
Por vezes encontra,
esperança.
O encontro que se quer
O que se quer acontece, afirmo. A voz que sai da minha boca envolve o corredor sem fim que me separa de algo que só o encontro dirá. Então decido correr. Corro contra o tempo, o tempo que gasta o espaço. Enquanto percorro vejo-o mais próximo, e o que percorri, caminho já feito, é de água do rio, sem retorno. Por vezes quero voltar atrás neste corredor mas o encontro é mais forte, é o que se quer mais forte, mar salgado à espera da foz.
