terça-feira, 10 de junho de 2008

The harbour

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The picture reborns with the voice of Annie Haslam:

Out at daybreak to the sun
Seas are drifting glass
The tides were turning to the storm
Winds were moving fast
Women waiting at the harbour
Silent stand around
Weather storms another day
For men the sea had found

Fisherman were laying nets
The barrels spread the bait
The seagulls warning echoed round
Winds that wouldn't wait
People gathered at the harbour
Waiting for the tide
Eyes half closed against the spray
And tears they cannot hide

[Chorus:]

Shadows falling at the harbour
Women stand around
Weather storms another way
For men the sea had drowned

Hulls were creaking crashing sails
Rains were slating down
The oilskins flapping, decks awash
Slanting turning round
Thunder roaring at the harbour
Women drawn in fear
Huddle up to wait the time
And pray the sky will clear

Howling winds and the raging waves
Cracked upon the boats
And torn from safety torn from life
Men with little hope
Ghostly echoes at the harbour
Whispering of death
Women weeping holding hands
Of those they still have left

At the harbour, Ashes are Burning, Renaissance, 1973

Tradução para português:

O Porto

A imagem renasce à voz de Annie Haslam:

Saindo ao nascer do sol
Mares são vidros flutuantes
As marés transformavam-se em tempestade
Os ventos moviam-se rapidamente
Mulheres a aguardar no porto
Silenciosamente esperam ao redor
Tempestades avançam mais um dia
Pois homens o mar encontrou

Pescadores estendendo as redes
Os barris espalham as iscas
Os avisos das gaivotas ecoam pelos arredores
Ventos que não podiam esperar
Pessoas aglomeradas no porto
Aguardando pela maré
Olhos meio fechados contra o borrifo
E lágrimas que não conseguem esconder

[Refrão:]
Sombras caem no porto
Mulheres aguardam em volta
Tempestades avançam por outro caminho
Pois homens o mar afogou
Os cascos estavam rangendo destruindo as velas
Chuva caindo como granizo
Os oleados batendo, convés lavados

Se abaixando, virando de costas
Trovão ressoando no porto
Mulheres atraídas pelo medo
Se aglomeram para esperar a hora
E rezam que os céus limpem
Ventos uivantes e as ondas agitadas
Racham sobre os barcos
E separados da segurança, separados da vida
Homens com pouca esperança
Ecos assustadores no porto
Suspiros de morte
Mulheres choram a segurar as mãos
Daqueles que ainda lhes restam

At the harbour, Ashes are Burning, Renaissance, 1973

Luz do sol

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Faltava um post com este título. Faltava sol à Primavera, e as cores do arco-íris à praia, mesmo sem chuva, mesmo entre nuvens.

Como não falar de vós?

Luís_de_Camões_por_François_Gérard

Cantando espalharei por toda a parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.

Lusíadas, Canto I, Camões

Por mares agora navegados, tua voz continua a espalhar a música da tua poesia. E não é por acaso que hoje é o dia de Portugal e que passados mais três dias também aqui neste blog nascerá outro post. O engenho e a arte renascem e reescrevem a História, mesmo que a voz não se escute, fica sempre a palavra a ecoar em "outros pessoas".

O arco-íris da praia

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Ontem foi dia de praia. O pai e a menina foram de Metro e saíram em Matosinhos Sul. Acomodaram-se perto do mar, com a praia ainda vazia, e deixaram o vento baloiçar as cores do guarda-sol enquanto faziam castelos de areia. Algumas nuvens corriam no céu azul, criando sombras rápidas sobre as pequenas dunas mornas. A menina estava tão contente que não sabia por onde começar e mesmo com os moldes exatos para fazer um polvo violeta, um pato amarelo, um barco verde e uma estrela do mar vermelha, preferiu voltar à calçada, perto do bar, onde já lá estavam outras crianças a brincar numa casa em plástico. Experimentou todos os brinquedos, comeu bolachas, bebeu água até que chegou a hora de voltar para preparar o almoço. No caminho de volta quis segurar o guarda-sol com os dois braços, como se abraçasse todas as cores do arco-íris.

domingo, 8 de junho de 2008

Porto de abrigo, ponte de encontro

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Como não amar também estas cidades? Neste porto de abrigo, neste comboio de corda*, cabem muitas cidades e muitas outras hão de viver cá. São todas pontes de encontro, apagam minha sede de rede.

*Autopsicografia, Fernando Pessoa

Após a chuva

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Após a chuva, anoitece em Matosinhos, o mar recolhe-se para voltar a cobrir a areia. O porto calmo de abrigo* espera.

*Ao longe o mar, Madredeus

The fruit is the seed

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"The seed that you plant today tomorrow will be a tree"

Carpet of the Sun, Renaissance, 1973

Tradução para português:

A fruta é a semente

"A semente que plantamos hoje será a árvore de amanhã"

Carpet of the Sun, Renaissance, 1973

The tree

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It's amazing how the tree can be the metaphor of our own life.

Tradução para português:

A árvore

É fascinante como a árvore pode ser a metáfora da nossa própria vida.

The seed and the tree

Lyrics:

Come along with me / Down into the world of seeing / Come and you'll be free / Take the time to find the feeling / See everything on it's own / And you'll find you know the way / And you'll know the things you're shown / Owe everything to do the day / Come along and try / Looking into ways of giving / Maybe we will fly / Find a dream that we will live in / We'll look into the eyes of time / Past ages have turned to dust / And born somewhere on the line / The loving that grows with us / Come into the day / Feel the sunshine warmth around you / Sounds from far away / Music of the love that found you / The seed that you plant today / Tomorrow will be a tree / And living goes on this way / It's all part of you and me / [Chorus:] See the carpet of the sun / The green grass soft and sweet / Sands upon the shores of time / Of ocean mountains deep / Part of the world that you live in / You are the part that you're giving

Carpet of the Sun, Renaissance, 1973

sábado, 7 de junho de 2008

sexta-feira, 6 de junho de 2008

霊気 ou Reiki

A imagem acinzentada que mantenho como fotografia autoral é a composição de duas "palavras" japonesas que representam energia espiritual, força da vida, atmosfera misteriosa, poder espiritual. Pretendo abordar um pouco mais em futuros posts.

Kayama

Searching for something, anything after the image of the lady in the rain. I found Kayama, just a song from ATB. But maybe one of the best electronic songs ever written by him. The same way I just found it, I listened to it, trying to saw different views for the same amazing combination of electronic sounds. I imagined the lady dancing, happy after going to the doctor, I saw her happy face, younger, searching for the sunny afternoon from yesterday. The lady of the hour doesn't know ATB, not even what is Kayama, but she knows that the good things in life, like a smile when we just feel healthy, are so precious as a beautiful piano solo in a trance song.

Tradução para português:

Procurando por algo, qualquer coisa após a imagem da senhora na chuva. Encontrei Kayama, apenas uma canção de ATB. Mas provavelmente uma das melhores canções eletrónicas algumas vez escritas por ele. Da mesma forma que eu a encontrei, escutei-a, tentando vizualizar deferentes padrões da mesma combinação de sons eletrónicos. Imaginei a senhora dançando alegre depois de ir ao médico, vi seu rosto feliz, rejuvenescido, procurando pela tarde ensolarada de ontem. A senhora da hora não conhece ATB, nem tampouco o que é Kayama, mas sabe que, as boas coisas da vida, como um sorriso quando simplesmente estamos com saúde, são tão preciosas como um bonito solo de piano de uma canção trance.

A Senhora da Hora

Confusa numa esquina da D. Afonso Henriques com a Sousa Aroso, a Senhora da Hora (como resolvi chamá-la, em homenagem à estação de metro que a menina mais gosta), perguntava-me pelo local de uma consulta. O ollhar perdido parecia ter encontrado a pessoa certa, quando estendeu-me um conjunto de papéis, facturas de análises, cujo grampo igualmente prendia o cartão de um Consultório. Estava a chover, a Senhora da Hora segurava seu guarda-chuva, inclinando-o aleatoriamente na direcção em que hesitava. Senti-me por breves instantes aquele que poderia ser-lhe útil e que me reconfortaria por algum tempo o desejo impulsivo de simplesmente ajudar. Mas percebi algo mais naquele olhar translúcido e hesitante, percebi humildade e receio, como a de um animal ferido e asustado que deixa-se levar nos braços por alguém que lembrou-se de que este também é um ser vivo. Lá estava a Senhora da Hora, a esperar pela minha decisão. Resolvi sorrir e começar a confortá-la, indicando com as mãos e com frases feitas, a direcção que deveria tomar. Foi então que percebi que o olhar permanecia transparente, quase choroso, como se estivesse realmente ferida, por alguma razão que então desconhecia. Pretendia chegar cedo ao trabalho, mas percebi que lho devia dizer:

- A senhora quer que a acompanhe até ao consultório?

O rosto inclinou em consonância e abriu-se um sorriso pálido, reconfortado, dolorido. A senhora da hora acompanhou meus passos, ofereceu seu guarda-chuva para abrigar-me e o guia continuava sua inusitada tarefa matinal. Quando chegamos ao prédio do Consultório, mesmo tendo conferido o número, confirmei o endereço, o nome da especialidade e a exacta sala. Confirmado, pensei, passando a mesma confiança sorridente, misturada à satisfação de ter feito algo mais por quem andaria às voltas sem nada descobrir, à chuva, por muito mais tempo. Coloquei-me em seu lugar, e permaneci a sorrir algum tempo, respondendo à consonância de outrora. A Senhora da Hora fechou seu guarda-chuva, agradeceu envergonhada, como pedindo desculpa por sua ingnorância, e entrou no prédio. Minha hora também chegou na página seguinte, virando-me no sentido oposto, pela mesma rua, a seguir em direcção ao trabalho.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Apito da partida II

Porque me chamas com tua voz? Um navio em porto de abrigo, uma partida eminente, gente que não fala minha língua mas sorri sob a mesma voz, o soar do apito. Porque me chamas com tua voz, se sabes que preciso continuar aqui sentado, a olhar para o céu azul, a sentir a brisa que vem do mar, a escutar os pássaros que ansiavam a primavera. O sol lá fora convida-me, mas o dever chama-me e preciso cá estar. Parte com tua gente, que escuta teu chamado e corre para voltar à casa! Minha casa é onde estou feliz, onde faço minha vida por agora, onde ancoro minhas raízes nómadas. Para já não respondo ao teu chamado, apenas sorrio.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Nostalgia

As Ilhas dos Açores, Madredeus. Nostalgia compreende o que se vive, entenda-se aquilo que nos desperta à memória, do tempo vivido. Como pode então esta canção ecoar em nostalgia se nunca fui aos Açores?

Esta voz

Esta voz que não canta, que se quer apenas presente, parte do eco das outras vozes, parte do eco do que o pensamento permite, renasce à deriva, no mar que recria. Corrente ausente, que leva tudo do rio à foz, escuta esta voz, faz do seu desejo o futuro e dá continuidade à sua marcha! Ninguém larga a grande roda, ninguém sabe onde é que andou. [...] O meu sonho acaba tarde, acordar é o que eu não queria*.

* O Pastor, Madredeus

Silêncio

Pássaros, passos, escassos

ruídos

A porta que abre, o telemóvel que toca,

passos

palavras, pessoas, portas

gaivotas

cadeiras

e o silêncio impera

enquanto as mentes brilham

domingo, 1 de junho de 2008

A nossa casa

NossaCasa

O que a madrinha lhe havia criado com os individuais de plástico, imaginando um telhado entre as duas, agora a menina redescobria numa outra casa em que até conseguia entrar. O pai rearrumou todo o quarto, e conseguiu um espaço para montá-la. Após colher as maçãs, tratou de fazer a sua especialidade, tirando de algum lugar, provavelmente de um armário, uma panela que lhe permitisse cozê-las em lume brando. O doce era feito à gosto, apurando com o tempo de cozedura. O pai divertia-se com a alegria contagiante da menina. Quando ficou pronto, a menina estendeu a mão pela porta e disse:

- Prova, papá.

Aquele era o melhor doce caseiro do mundo.

A criança na cadeira

New Picture

A criança na cadeira não imagina o sol que poderá alcançar, não imagina o futuro que está por criar.  Pés descalços sobre couro trabalhado, apoia suas pequenas mãos nos que lhe dão conforto, questiona a luz que ilumina os três e olha para o lado, sem notar o homem encurvado atrás da grande máquina que os foca. A criança na cadeira quer correr, brincar, crescer, ser feliz.

Alcançar o sol

O primeiro dia de Junho, o dia da Criança, é um dia de sol.  Imagino-me a subir, criança, para uma cadeira a tentar alcançar o sol.  Minha mão aquece com o calor e a sombra que esta estrela cria ao tentar tapá-la envolve meus dedos com um brilho vermelho, como se a própria mão estivesse iluminada.  Magia de criança, sorriso incandescente, capaz de mudar o mundo, futuro à espera entre nuvens de algodão.