quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Hoje

Hoje durmo, hoje acordo
Meia noite, no meio da noite
Penso, vôo, madrugo
Avanço um terço
No quarto, na quinta
E o alvoroço,  o silêncio
Tudo fala, nada ecoa
Pardo céu, tardia lua
Telhado cego
Vidro molhado
Sabor de chuva
E a terra e a Terra
Mãe
Do M que escapa à língua
Da língua, da pátria
Da comunicação
Da ação comum
Verde
Sem rédeas,  apenas
Hoje

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Des Construir

Construir
de palavras soltas, palatos,
uma língua comum a nações.
De soltas, passam a frases, linhas,
tomam corpo,
forma, espaço e sombra,
som, sol e solidão.
Sob a árvore, sobre a cama,
entre o livro, outrora papel,
outrora pedaço de árvore
abrigado no leito
do rio da escrita,
a des construção,
as partes que justificam o todo,
o simples que parece complexo,
Deus em forma de tinta.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Movimento

Vento em manto sobre a areia
Forma, cria, partilha
Os que vêem o que escreve
Deixam o seu toque enrolar os cabelos
Em ondas, sonhos, sorrisos
Em bocas, em beijos
E o mar, a oscilar em espuma
A mover o momento
Movimento

terça-feira, 11 de junho de 2013

Saudade

A saudade que o mar agitado trás
é espuma em círculos na areia.
O olhar salgado ora vê o horizonte,
ora acaricia a areia, ora ora.
Faz da nuvem um altar
E do Sol omnipresente.
Saudade e sal
"É solitário andar por entre a gente"

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Palavra

A palavra que sai da boca
É arte, karma, felicidade e tristeza
Primavera, verão ou outra estação
É qualquer coisa, tudo ou nada
Uma gota d'água, um oceano.

No destino, a palavra lavra.
Revolve, engravida e espera
O tempo ajuda e quando nasce,
o fruto é mais que uma palavra
É um texto raro
um olhar do leitor
um sorriso do poeta.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Flor do silêncio

Por mais que escute
Por mais que olhe, veja e não perceba
A música
A combinação de notas
Não desvanece,  não enjoa
Não é moda nem de passagem.
É toda vida, pulsar de um momento,
Valor para quem escuta,
Fronteira da mensagem
Para quem a concebeu,
Como um toque silencioso
Numa flor que está lá
Mas não é visível aos olhos da rotina.

sábado, 6 de abril de 2013

Tempo passa

Tempo passa
faz passado o que desejo abraçar
e futuro o que já abracei.
Braços abertos ou entrelaçados,
uma força revolve os pés, as raízes.
Ramos e folhas, família, ramificações.
Não tenho medo do que está por vir:
o caule verde verga-se ao vento,
mas o tronco experiente é sábio
e firme trespassa as horas do Tempo.
Mantenho a alma verde
por mais anéis que se criem,
por tantas estações, cores,
árvore, apenas árvore.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Notas


Preto e branco, alternadamente
As notas, que são martelos sobre cordas
saem do piano da vida em altos e baixos
ebony and ivory
in perfect harmony

Ouvir cordas


Ouço cordas
Vejo dedos sobre o nylon de uma guitarra
Não sei de nenhum instrumento que me toque mais
Sons que ecoam como poemas no pensamento
Esta música é alma
E a arte de ouvi-la é tão forte que compreende
a própria arte de fazer-se ouvir,
da corda que toca e percorre o ar
à espera de um dono

Alma e excitação


Fado
O que há em mim, música
De alma e excitação - diga-se soul and jazz
Transparece, sobressai, agita
E o que a música em si carrega
da tristeza de uma vida faz uma canção
uma fado, uma guitarra, uma voz
um coração

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Tristeza do Mundo


Há quem diga que a Natureza costuma chorar quando duas estrelas se separam.
A tristeza da Natureza ocorre em dias e noites de tempestade, quando todas as estrelas
escondem-se_________________________________
É como se as nuvens tentassem proteger a harmonia das restantes,
aliviando-as da separação
da dor
Um dia, quando a chuva acaba, fica a terra lavada, o sol aquece
as mãos do Mundo percorrem o coração
que desacelera
acalma
e espera...

sábado, 28 de maio de 2011

Feito em Portugal



Gosto de Mar, de amar
Gosto de aldeias, de braços abertos

Gosto do Céu, de sonhar
Gosto de fado, de cotentamentos descontentes

Gosto de Terra, de criar
Gosto de videiras, pera rocha e laranjas

Gosto  do Amanhecer, de esperar
Gosto do sol, de acordar

Feito em Portugal,
dos quatro elementos, pelos quatro cantos
gosto de viver e fazer:
amar, sonhar, criar e esperar

domingo, 17 de abril de 2011

O Tempo e as horas


Hoje meu avô faria 86 anos.  O que foi, o que é por nós (os que ficaram) e o que será (nas memórias que vamos repetir) é como a vida: o Tempo passa e as horas ficam.  O presente é feito de vivências e acções, e o futuro de concretizações e possibilidades.  As horas passam e o Tempo fica à espera do amanhã.

domingo, 2 de janeiro de 2011

O amor



Tiago ama Daniela
Paulo ama Filipa
Tiago (C) ama Nicole
Ivo ama?
Bruno ama?
(“O amor” de autor desconhecido)

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

O Puzzle da Vida


Ao juntar as peças de 2010, descobrimos adversidades e bons momentos, perdas e nascimentos, dificuldades e satisfações. Ao terminar o Puzzle, percebemos que o que nos motiva é justamente isso: tal como a própria vida, um ano não é melhor ou pior do que outro. Nós é que o fazemos bom ou mau.
Vamos fazer de 2011 um vintage!

sábado, 1 de maio de 2010

Flores do vento


À procura de dentes-de-leão, esperamos.  O tempo de espera não precisa ser de ansiedade: há sempre o que inventar e reinventar, como os nomes.  Hoje chamamos aos dentes-de-leão, flores do vento, à espera da brisa que as leve para outras paragens.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O pai do pai do meu pai


Fiquei a saber há dias que meu bisavô paterno está nesta foto (o senhor que está mais à direita).  As memórias têm destas coisas: atravessam o tempo sobre uma folha de papel, criam emoções de vida nos que ficam pela vida dos que foram e plantam saudades de quem não chegamos a conhecer.  O pai do pai do meu pai agora é também parte de mim.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Ensaio a sépia


Ó pastora, ó pastorinha,
Que tens ovelhas e riso,
Teu riso ecoa no vale
E nada mais é preciso.

Fernando Pessoa


Olho e comovo-me,
Comovo-me como a água corre quando o chão é inclinado,
E a minha poesia é natural como o levantar-se o vento...

Alberto Caeiro


Não desças os degraus do sonho
Para não despertar os monstros.
Não subas aos sótãos - onde
Os deuses, por trás das suas máscaras,
Ocultam o próprio enigma.
Não desças, não subas, fica.
O mistério está é na tua vida!
E é um sonho louco este nosso mundo...

Mário Quintana

sábado, 22 de agosto de 2009

O beijo de Klimt revisitado

O beijo de Klimt, pintor austríaco, é possivelmente um dos quadros mais conhecidos do mundo:

fonte: Wikipedia

Ontem surpreendi-me com este outro beijo, não de Klimt, mas como se o revisitasse. Num movimento inverso, de ascensão, ela toma a iniciativa e ele acolhe com carinho a ternura:

O Beijo

quarta-feira, 1 de julho de 2009

O espírito da Terra do Nunca

A Terra do Nunca não deve ter sido tão lembrada como agora, com a morte de Michael Jackson.  A evolução do seu rosto, da sua “capa”, a fascinação pela criança que foi e cujo espírito deixou escapar com a transformação não só física, mas também e, principalmente, psicológica, leva-nos a reflectir se a Terra do Nunca não seria uma máscara para esconder a dor de perder a criança que não soube gerir, do lado infantil que não soube desenvolver.  A criança Michael morreu em Michael e o sorriso natural de outrora não conseguiu resistir às transformações.   Never Land de Peter Pan renasce ao escolher as crianças que fomos, alertando-nos, enquanto fábula, que podemos continuar crianças cá dentro.  Basta construímos a terra prometida nos nossos pensamentos, actos, vontades, espíritos.

E agora sabe-se que, afinal, não irá para a Terra do Nunca: Michael Jackson não será levado para Neverland